quinta-feira, 12 de julho de 2012

O lindo menino cego

Esse danado que anda com tintas e aquarelas nos bolsos, todas de tampas abertas, saltitante ele vai, com flores e ramalhetes
Brinca, sobe nos móveis rasga tecidos, seca as vasinhas escreve bilhetes
Te agarra na coxia, dorme de conchinha.
Depois pendura a conchinha no braço, no violão...
Ele voa e dança sem tirar os pés do chão.
Esse danado que sisma em dar vida as cores,
as coisas a vida.
Há vida nesse danado e só quem o conhece entende
Mas ninguém sabe se de fato o conhece plenamente
E os que o viram  jamais conseguiram distinguir seu inicio ou seu fim
ou o inicio e seu fim, ou o inicio do fim ou o inicio com o fim... Enfim ...
Talvez por isso ninguém o entenda...
Mas que bom que seja assim, pois ele não precisa ser entendido
Precisa ser sentido.
Precisa ser aceito, apesar de não ter nenhum sentido e excesso de conceito.
Ele é infinito é onda do mar que ninguém está alheio
É caixote pra quem finca os pés no chão e tenta resistir
E Plenitude pra quem se joga e se deixa conduzir
É como a maré e seu efeito de descer e subir
É a falta de gravidade é perder o folego, levar e ser levado, sentir saudade
Um ser levado.
Sapeca e levado, faz tudo certo e tudo errado
Mas vale a pena conhece-lo. Alias Só vale a pena conhece-lo e RE-conhece-lo é melhor ainda.
Ele pra durar precisa de reconhecimento
Por vezes desapegado por vezes ciumento.
Esse menino ancião
Pai dos sentidos, rei da inconsequência , fugitivo da razão.
Razão...
Talvez por isso ele fuja dela, ele não gosta de nada que é razo
ele gosta de profundidade
E tem tão profunda idade, que já existia bem antes de nascermos e ainda viverá muito depois que não estivermos mais aqui
E ainda assim nos fara sorrir
Ele tem tantos nomes quanto a imaginação pode criar
Uns tão antigos que só as arvores e os rios podem pronunciar
Mesmo assim tem espaço nos dicionários de todas as línguas mas nenhum capaz de descrever seu sentido ou dizer seu significado isso cabe a NÓS essa função...
Esse menino ancião...
Combustivel da vida, arquiteto dos feitos esplêndidos e grandiosos
Dono dos menores frascos com os melhores perfumes, e venenos mais perigosos...
Os frascos são iguais e a gente as vezes toma sem saber qual é
Mas ele é justo e cada um tem dele o que precisa, o que nem sempre é o que se quer.
Desse menino não tenho medo, diferente de sua irmã quem eu duvido que só use preto.
. . .


Esse sapeca, padroeiro dos poétas, músicos,escultores,mães, pais,atores, engenheiros,matemáticos,físicos, ricos, miseráveis, heróis, assassinos...
Incrível o poder que ele tem de transformar um momento ruim em momento bom
De transformar salas vazias em constelação
Mas acredito que ele não seja perfeito
Perfeito é o resultado do que ele faz.
DO QUE ELE FAZ COM VOCÊ...


Esse lindo menino cego, que tudo vê.

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